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domingo, março 02, 2008

Para ouvir na TSF - Encontros com o Património

A TSF tem na sua programação um programa que vai para o ar aos sábados pelas 12h10 totalmente dedicado ao património. O Encontros com o Património é uma colaboração entre a TSF e o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), com o apoio do departamento de inventário, estudos e divulgação.

Para quem ainda não ouviu, segue a listagem dos programas já emitados e que podem ser acedidos na sua pagina de arquivo de programas:

• ( 17:51 01Mar08 ) Património subaquático

Desta vez, o programa desce às profundidades do mar, na pesquisa de tesouros perdidos, nos naufrágios de barcos vindos das Américas e do Oriente... Mergulham com o jornalista Manuel Vilas Boas, os arqueólogos Francisco Alves, José Bettencourt, Maria Luísa Blô, Pedro caleja e Paulo Jorge Rodrigues, o conservador João Coelho e o investigador de arqueologia náutica Paulo Monteiro.
• ( 21:08 23Fev08 ) Mosteiro de Alcobaça II
Nesta edição vamos de romagem aos espaços da vida cisterciense, no Mosteiro de Alcobaça, património mundial da Humanidade, e uma das Sete maravilhas de Portugal. Da implantação do terreno entre o Alcôa e o Baça, da profundidade do templo ao Claustro do Silêncio dos monges brancos, conduzem-nos os passos do historiador Rui Rasquilho, do engenheiro José Tavares e do arquitecto Gonçalo Byrne.
• ( 18:08 16Fev08 ) Mosteiro de Alcobaça
Nesta edição vamos de romagem aos espaços da vida cisterciense, no Mosteiro de Alcobaça, património mundial da Humanidade, e uma das Sete maravilhas de Portugal. Da implantação do terreno entre o Alcôa e o Baça, da profundidade do templo ao Claustro do Silêncio dos monges brancos, conduzem-nos os passos do historiador Rui Rasquilho, do engenheiro José Tavares e do arquitecto Gonçalo Byrne.
• ( 18:23 09Fev08 ) Jardins públicos e históricos
São lugares para a tranquilidade e o bem-estar, os jardins que nos levam os olhos pela beleza e tantas vezes a pena por falta de cuidado... A deambular pelo Jardim da Estrelas, em Lisboa, escutamos o saber dos historiadores José Augusto França e Pedro Bebiano Braga, da bióloga Eduarda Paz, da engenheira agrónoma Ana Júlia Francisco, das arquitectas paisagísticas Rita Theriaga Gonçalves e Mafalda Farmhouse e dos jardineiros José Passinhas e António Cachas.
• ( 17:58 02Fev08 ) Património mineiro
Nesta edição vamos de visita ao património mineiro em Aljustrel e São Domingos de Mértola. São nossos anfitriões os arqueólogos Artur Martins, Helena Alves e Jorge Custódio, o geólogo João Matos, o engenheiro José Martins, o arquitecto Rui Carvalho e os mineiros Mário Godinho e António Marciano Barão.
• ( 22:24 26Jan08 ) Património Moderno
Serão poucos os portugueses que o reconhecem ou que lhe dedicam respeito. Referimo-nos ao Património Moderno que é razão do debate nesta edição de Encontros com o Património. Os arquitectos Manuel Rainha, Ana Tostões, Andreia Galvão, José António Bandeirinha e o engenheiro Eduardo Júlio dão-nos a conhecer os protagonistas do movimento da arquitectura moderna que, no século XX, intentaram mudar a face do mundo.
• ( 16:44 19Jan08 ) Gravuras do Côa
Neste sábado vamos de visita às gravuras rupestres escondidas por milhares de anos no vale do Rio Côa. Atentos à beleza envolvente seguimos os passos de António Martinho Baptista, arqueólogo e especialista em arte rupestre pré-histórica, de Joaquim Ferreira Felício, sociólogo e coordenador da acção integrada de base territorial, de Alexandra Cerveira Lima, directora do Parque Arqueológico do Cale do Côa, e de João Pedro Cunha Ribeiro, arqueólogo e sub-director do IGESPAR.
• ( 18:38 12Jan08 ) Mosteiro de Tibães
Quase milenar, o Mosteiro de S. Martinho de Tibães reergue-se da ruína a que foi votado depois da extinção das ordens religiosas em Portugal, no século XIX. Adquirido pelo Estado em 1986, é, há quase duas décadas, objecto de uma das mais exemplares intervenções de recuperação, restauro e reabilitação do património monástico. São anfitriões da visita guiada a esta casa-mãe da Congregação de S. Bento de Portugal e do Brasil, a historiadora e directora do Mosteiro, Aida Mata, o arquitecto João Carlos Santos, autor do projecto de intervenção global, a arquitecta paisagista Maria João Costa e Luís Fontes, investigador da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho.

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Convento das Bernardas em Tavira - a história, o património e o seu futuro

Da História

O Mosteiro feminino de São Bernardo, em Tavira, foi mandado construir, em 1509, por D. Manuel I, como "acção de graças" pelo insucesso que teve, no "Algarve de além mar, em África", um cerco mouro, à cidade de Arzila. Posteriormente, o edifício terá sido cedido a D. Fernando Coutinho que, em 1530, o concluiu e o entregou às Monjas de Cister, pelo que, se configura como um mosteiro feminino de época tardia das construções cistercienses em Portugal.

Nos três séculos seguintes, manteve-se como o único convento daquela ordem, na região, tendo as suas religiosas e conversas tido proveniência não só das famílias de Tavira como de todo o Algarve. O edifício sofreu diversas ampliações e alterações ao longo da sua existência. Como muitos outros edifícios da região algarvia foi fortemente danificado com o terramoto de 1755.

Após 1834, e em sequência da legislação liberal que extingue as ordens religiosas, em Portugal, o edifício (Igreja, Convento e Cerca) é incorporado na fazenda real, e vendido em hasta pública. Em 1888, Albrecht Haupt visita Tavira e na sua obra " A Arquitectura da Renascença em Portugal", pág.309, dá-nos o seguinte testemunho sobre o imóvel: " A velha cidade de Tavira é, de todas, aquela que mais importante assunto nos ministra, a saber, o convento das irmãs de S. Bernardo. É instituição de D. Manuel e encontra-se actualmente em estado de ruína total. Era gótica terciária a igreja, ostentando um pórtico manuelino, algo tosco; conserva-se ainda de pé o claustro, de dois pavimentos, com as suas formosas colunas oitavadas, de capitéis com calabres entrançados."

Em 1890, é ali montada a Fábrica de Moagem e Massas a Vapor que, em 1920, é vendida a J. A.Pacheco. A fábrica manter-se-á em laboração, até finais da década de 60. Paralelamente alguns espaços são adaptados a escritórios de apoio ao funcionamento da indústria e a residências particulares. Mantém-se ainda, na actualidade, em funcionamento uma indústria de panificação, na ala a Sul.

Da localização

Este imóvel tem uma localização privilegiada no extremo urbano de Tavira. Situa-se na proximidade da nova ponte sobre o rio Gilão, e apresenta o tardoz bordejado por um canal e voltado para o sapal, para a foz do rio e para a ria, sem obstáculos visuais. Está numa parte da cidade onde coexistem uma parte deprimida, de que faz parte, e uma outra de expansão urbana, com novos edifícios, mas ainda não densamente povoada.

Das alterações à traça original

As alterações de uso do imóvel, particularmente a passagem de convento a moagem, contribuíram não só para marcados desvios ao seu desenho inicial como para a sua actual degradação construtiva e estética. Do primitivo edifício são facilmente identificáveis in situ, para além da localização das alas, exceptuando a central: Um portal gótico-manuelino encimado por fogaréus barrocos, no alçado Norte da igreja.

Algumas mísulas de pedra que serviam de apoio à cobertura do antigo mosteiro, na parte superior da parede sul da Igreja. Os arcos que definiam a capela-mor, o falso transepto e as zona das monjas e outros de acesso. Vãos de janela, com molduras de cantaria de pedra, correspondentes às celas das monjas no alçado interior Poente, piso superior.

Das Intervenções

O edifício foi objecto de intervenções, no interior e no exterior, que afectaram profundamente a identidade da sua imagem enquanto conjunto monástico e os elementos arquitectónicos adquiridos, quando do seu uso como fábrica, não são particularmente dignos de registo. Porém equacionando o seu magnífico enquadramento paisagístico, com os elementos arquitectónicos que subsistem da sua vivência religiosa e conventual, com o elemento marcadamente identificador da sua continuidade enquanto unidade industrial, definem-se assim os três aspectos que, associados, estabelecem o valor patrimonial do edifício . (Natércia Magalhães/ DRFaro/2002)
Texto retirado das fichas online da DGEMN

Do Futuro

O antigo Mosteiro de São Bernardo, também conhecido por Convento das Bernardas, irá transformar-se num condomínio privado de elevada qualidade, com capacidade para 39 apartamentos. Este projecto vai pressupor um investimento de cerca de 1.300 000 de euros.

Segundo a Câmara Municipal de Tavira, o projecto é da responsabilidade do Arquitecto Nuno Manuel Valente Santos Transmontano de Carvalho e consiste na adaptação de um antigo edifício conventual, degradado e adulterado, numa “zona habitacional de qualidade”. (...) De modo a salvaguardar todos os possíveis achados, adianta a autarquia que “dever-se-á proceder a uma prospecção arqueológica preventiva, a qual será considerada como uma parte da obra”, garantindo que a intervenção prevista irá, tanto quanto possível, “manter a traça original do imóvel”. (...) O referido projecto para além de preservar a memória do local, assegura a Câmara Municipal que “irá acrescentar condições de habitabilidade tais, que proporcionará um conjunto homogéneo e de referência à cidade” de Tavira.

Excerto de reportagem retirado do Jornal Região Sul

Mais sobre esta intervenção pode ser vista na pagina dos responsáveis do projecto

Das opiniões acerca desta operação de charme

Curiosamente a blogosfera não tem feito notar as suas considerações; certamente esta intervenção não agradará a gregos e a troianos, mas entre deixar na ruina e intervencionar, o que é mais desejável? Tem de se ter também em consideração o tipo de intervenção e os seus níveis de destruição do património que lhe resta.

Recuso-me a dar opiniões formadas sobre um projecto que desconheço na totalidade, mas não posso deixar de declarar a minha preocupação.

Aceitam-se comentários e opiniões formadas.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Mosteiro de Semide em Miranda do Corvo em risco de desaparecer de vez


"Vítima" de vários incendios que o foram destruindo, de obras que começaram e não acabaram, de fundos que não chegam, o Mosteiro de Semide está agora face à condenação total. Estava previsto para Setembro o reeniciar das obras que o iriam proteger da destruição, mas agora tudo está perdido e a Camara Municipal de Miranda do Corvo afirma que não pode custear esta obra.



Em Janeiro, afirmava-se que "a recuperação do convento foi alvo de um protocolo em 1999, entre o Instituto do Emprego de Formação Profissional e a Direcção- Geral dos Monumentos Nacionais, mas a primeira fase das obras só arrancou em 2003, com a consolidação e cobertura dos edifícios ardidos em 1964 e 1990. A primeira fase foi concluída no primeiro trimestre de 2004, mas falta concretizar a segunda e terceira etapas de um projecto que engloba a recuperação total dos imóveis. Nesta segunda fase, serão criados novos espaços que deverão ser utilizados pelo Centro de Formação Profissional de Artesanato (Cearte), que possui um pólo no convento, e pela população de Semide. No piso 0 nascerá uma zona residencial para os participantes de acções de formação, duas oficinas e seis novos espaços para salas de aula do Cearte. Na antiga sala do Capítulo será construído um museu de arte sacra a cargo da paróquia e outras infra-estruturas destinadas à igreja. José Afonso Mira garantiu que os trabalhos de recuperação vão ter início ainda em 2006, com duração de um ano, intervindo também na consolidação do claustro quinhentista do convento. (Fonte: Jornal de Noticias)

Agora que estamos já em Novembro do ano de 2006, duvido que as obras possam arrancar e ser concluidas ainda este ano...

Breve História do Mosteiro:(Fonte: Coimbra-Nacional)

-O mosteiro de monges beneditinos, fundado em 1154, na localidade de Semide, passou a convento de freiras para receber as descendentes de Martim Anaia, o fundador.
-Do que resta, a parte mais antiga é o claustro do séc. XVI, cerca de 1540.
-O incêndio de 1664 devorou a maior parte do edifício que foi reconstruído e inaugurado, com a actual igreja, em 1697.
-A ala poente foi queimada por um grande incêndio, em 1964.
-A parte do Claustro Velho, a casa do Capítulo e a Sacristia foi também recentemente destruída por um incêndio de grandes proporções em 16 de Agosto de 1990.
-De todo o conjunto salienta-se a Igreja, com um retábulo e cadeiral em madeira, dos finais do século XVII, azulejos policromáticos do séc. XVIII, esculturas dos séc. 17 e 18 e altar-mor também do século 17. O órgão da Segunda metade do séc. 18.
-Em Setembro de 2000 foi descoberta a fornalha d um primitivo fogão durante as obras efectuadas no refeitório do Convento, supervisionadas pela direcção-geral dos Edifícios e Monumentos. Trata-se de uma fornalha embutida no solo da antiga cantina, na qual a combustão se processaria através de um túnel construído em tijoleira que também foi posto a descoberto. Este achado está preservado, servindo de testemunho da época de construção daquela parte do edifício que remota aos séc. 17 e 18.
-Encerrado na altura da extinção das ordens religiosas, aí foi instalada uma escola Profissional de Agricultura, sob a égide da então Junta Distrital, por iniciativa do Dr. Bissaia Barreto.
-Devido ás condições acústicas do local tem-se realizado anualmente o ENCONTRO DE COROS na Igreja do Mosteiro de Santa Maria de Semide que tem contado com coros nacionais como também internacionais.