terça-feira, março 29, 2005

Estudo Integrado de Indústrias Líticas


Estudos integrados de Indústrias Líticas
Monica Reis

Vai decorrer nos dias 5, 6 e 7 de Maio o curso organizado pela APA - Associação Profissional de Arqueólogos, nas instalações da Universidade do Algarve. Este curso destina-se a associados e não associados, com preços entre os 96€ e os 120€ respectivamente.

Para os interessados visitem a página de informações respectiva onde poderão realizar a pré-inscrição e esclarecer-se acerca dos requisitos.

A abrangência da ideia de património - Artigo do DN

"A abrangência da ideia de património" mostra-nos como o mundo de hoje "está a realizar um imenso 'trabalho de luto' em relação às sociedades tradicionais com as quais a modernidade cortou." As palavras, do arqueólogo e docente universitário Vítor Oliveira Jorge, constam do seu prefácio à tradução portuguesa de A Política do Património, de Marc Guillaume, obra de referência numa área de conhecimento e de intervenção não menos chave, editada em França em 1980 e que chegou até nós com mais de duas décadas de atraso, em 2003.

Ao pensarmos na realidade portuguesa e nesse "trabalho de luto", cedo nos apercebemos de como a largueza do conceito tem deparado, demasiadas vezes, com um afunilamento das práticas a noção de património há muito que deixou de reportar-se exclusivamente à peça de perfil monumental, mas a prática mostra-nos que tudo quanto não caiba nessa categoria clássica - porque de perfil mais modesto, discreto ou corrente - continua a ser encarado e tratado como um maçador obstáculo a remover do caminho. A forma desastrosa como continuamos a intervir na paisagem e a delapidar a identidade dos lugares diz tudo sobre esse modo de estar.

É esse outro património, o primeiro a desaparecer na voragem de uma modernidade sem memória, que constitui o tema de capa do mais recente número, o 7.º, da revista Património - Estudos, editada pelo Departamento de Estudos do Instituto Português do Património Arquitectónico (Ippar). Sob o título genérico Outros patrimónios, o dossier em apreço recupera, assim, aquele que fôra já tema do ciclo de conferências que o Ippar promoveu, em 2004, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa.

Reunindo sete artigos de fundo que, sem excepção, nos falam de unidade na diversidade e da urgência de encarar o património como instrumento de desenvolvimento - não apenas no plano do discurso, mas, sobretudo, da prática quotidiana e das escolhas que ela exige - Outros patrimónios abrange, aqui, "Arquitecturas de veraneio" (por Raquel Henriques da Silva), "O património das termas em Portugal" (Helena Gonçalves Pinto e Jorge Mangorrinha), "Os faróis portugueses memória do passado, desafios do presente" (Joaquim Boiça), "Caminho-de-ferro, um património sobre carris (Margarida Ramalho e Rui Cardoso), "Território antigo" (José Eduardo Mateus), "Gramáticas de pedra - apontamentos sobre outros patrimónios" (Gabriella Casella) e "As estradas em Portugal: um património esquecido" (por Amélia Aguiar Andrade).

A temática do dossier acaba por ter desenvolvimento em outras rubricas habituais na revista do Ippar, nomeadamente a dedicada à área da salvaguarda - que, neste número, se ocupa dos temas "Património geológico", por Miguel Magalhães Ramalho, e "Património cemiterial", por Francisco Queiroz e Ana Margarida Portela - e, também, na rubrica Memória, por via do conjunto de artigos que a historiadora e técnica do instituto Deolinda Folgado tem vindo a publicar sobre património industrial, justamente um dos que se encontra em maior risco no País.

Que o Ippar reconheça a importância destes outros legados é já um bom indício, pelo que se espera que, no quadro das suas atribuições, assuma igualmente a sua efectiva defesa. Sobretudo no que respeita ao património de Oitocentos/primeiros anos de Novecentos, que permanece votado ao mais profundo desprezo e, na esmagadora maioria dos casos, destituído de qualquer tipo de protecção. Num flagrante contraste com a atenção que está a ser dada a criações contemporâneas que não se submeteram, sequer, ao teste do tempo.

artigo escrito por Maria João Pinto, no Dn online , acerca da nova revista do IPPAR - Património - Estudos

Mais informações acerca da revista podem ser visualizadas aqui

sexta-feira, março 25, 2005

É Páscoa!


Páscoa Feliz
Monica Reis

Alguma vez se perguntaram porque razão vemos nós na páscoa, um coelho com um ovo? Não seria mais lógico termos a galinha com o dito ovo? Pois tudo tem razão de ser, e creio que ainda há muita gente que não se questionou acerca da origem da tradição iconográfica. Pois então, decidi aproveitar a ocasião e desmistificar o assunto.

Primeiro Ponto: O que é a Páscoa?

O termo Páscoa deriva do aramaico Pasha, que em hebraico se diz pesach, com um significado discutível: pode ser "saltar", originalmente em referência a uma dança ritual; mas também a passagem do sol pelo seu ponto mais alto numa determinada constelação.

No livro do Êxodo, no Antigo Testamento (Ex. 12,26-32) o termo refere-se à noite em que Javé matou os primogénitos do Egipto e poupou ("saltou") as casas de Hebreus, cujas ombreiras e dintel das portas estavam pintadas com o sangue do cordeiro pascal.

No entanto, para o Judaísmo a Páscoa, sua principal festa, comemora a libertação dos hebreus no Egipto através da passagem do Mar Vermelho, conduzidos por Moisés (Ex. 12, 1-13). Javé terá dito então a Moisés: "Aquele dia será para vós um memorial, e vós festejá-lo-eis como uma festa em honra ao Senhor. Ao longo das vossas gerações, a deveis festejar como uma lei perpétua" (Ex. 12,14).

Todavia, até à libertação do Egipto, a Páscoa dos Hebreus era a festa dos cordeiros novos (com um ano), entre os pastores, e festa do pão novo, ou dos Ázimos, entre os agricultores. Por isso se dizia "comer a Páscoa" (Mt. 26,17). Só depois da escravidão no Egipto é que se tornou a festa da libertação e a anunciação da libertação futura, impregnada de Messianismo, o vector fundamental da religião judaica.

A Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus no domingo após o dia 14 de Nisan, data da Páscoa judaica: é pois a memória do sacrifício de Jesus na Cruz, uma nova vítima pascal e da sua vitória sobre a morte pela ressurreição. Simbolicamente, Cristo, apresentado como o cordeiro de Deus, representa a nova Páscoa, e é o pão novo, que ourifica pelo seu sangue.

Jesus, que era judeu, concilia assim as duas tradições judaicas do Antigo Testamento na sua pessoa, eixo central do Novo Testamento. Como a Paixão e morte de Jesus coincidiram com a Páscoa judaica, vários costumes e símbolos foram incorporados às tradições cristãs. Por isso S. Paulo, por exemplo, na sua Epístola aos Hebreus, afirma que rituais como a imolação do cordeiro são imagens de algo que afinal se verificou: o cordeiro de Deus, imolado em sacrifício, é o próprio Cristo, crucificado para expiar os pecados dos homens. Aqui está pois a síntese da Páscoa judaico-cristã.

Segundo Ponto: O porquê do coelho.

A tradição do coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa.

Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida?

No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antigüidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa.

Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertililidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas!

Terceiro Ponto: Então e o ovo?

Bem, o ovo também simboliza o nascimento, a vida que retorna. O costume de presentear as pessoas na época da Páscoa com ovos ornamentados e coloridos começou na antigüidade. Eram verdadeiras obras de arte!

Os egípcios e persas costumavam tingir ovos com as cores primaveris e os davam a seus amigos. Os persas acreditavam que a Terra saíra de um ovo gigante.

Os cristãos primitivos da Mesopotâmia foram os primeiros a usar ovos coloridos na Páscoa. Em alguns países europeus, os ovos são coloridos para representar a alegria da ressurreição. Na Grã-Bretanha, costumava-se escrever mensagens e datas nos ovos dados aos amigos. Na Alemanha, os ovos eram dados às crianças junto de outros presentes na Páscoa. Na Armênia decoravam ovos ocos com retratos de Cristo, da Virgem Maria e de outras imagens religiosas.

No século XIX, ovos de confeito decorados com uma janela em uma ponta e pequenas cenas dentro eram presentes populares.

Mas os ovos ainda não eram comestíveis. Pelo menos como a gente conhece hoje, com todo aquele chocolate. Atualmente, as crianças encontram ovos de chocolate ou "ninhos" cheios de doces nas mesas na manhã de Páscoa. No Brasil, as crianças montam seus próprios "cestinhos de Páscoa", enchem-no de palha ou papel, esperando o coelhinho deixar os ovinhos durante a madrugada. Nos Estados Unidos e outros países as crianças saem na manhã de Páscoa pela casa ou pelo quintal em busca dos ovinhos escondidos. Em alguns lugares os ovos são escondidos em lugares públicos e as crianças da comunidade são convidadas a encontrá-los, celebrando uma festa comunitária.

Agora estamos esclarecidos! Para quem quiser, estas informações foram retiradas deste site

E o mais importante: Boa Páscoa para todos!