quinta-feira, março 03, 2005

Visita a Córdova e Sevilha


Mirhab - Grande Mesquita de Cordova

Sala Hipostila - Grande Mesquita de Cordova

Medinat-Al-Zahara

Medinat-Al-Zahara - Pormenor do Trabalho do capitel

Jantar no Restaurante Federacion de Peñas Cordobesas com decoração "à la Mesquita"

Alcazar - Sevilha

Alcazar - Pormenor do trabalho cerâmico

Alcazar - Momento da visita com Prof. Teresa Gamito
Monica Reis

Decorreu dia 1 e 2 de Março a visita de estudo levada a cabo pela disciplina de Arqueologia Medieval II com a Prof. Teresa Gamito. Em Córdova visitámos a Grande Mesquita e Medinat-Al-Zahara. No dia 2 seguimos para Sevilha e visitámos o Alcazar.

Deixo-vos o convite: coloquem as vossas impressoes da visita.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Uma Visão da Arqueologia em Portugal...

De facto ser profissional em Arqueologia em Portugal é uma verdadeira aventura, quase tão dura e dificil quanto aquelas vividas pelos nossos antepassados nas conquistas feitas por esse mundo fora! O fascinio de que se reveste esta ciência é sem dúvida enorme, e penso que quem é realmente um apaixonado pela Arqueologia e teve formação nesta área se tornou uma pessoa muito mais sensivel e começou a ver o mundo de forma diferente.
Ainda durante a frequência do curso pude constatar que os incentivos financeiros para levar a cabo projectos de investigação em Portugal nesta área eram poucos ou nenhuns, a própria frequência de uma liceciatura em Arqueologia assim nos deu indicadores disso mesmo, pois em trabalhos de campo que tivemos que realizar, foi do nosso bolso que saiu o dinheiro para as deslocações e respectivas despesas em alojamento e alimentaçãos a localidades a cerca de 100 ou 200 km da faculdade para obtemos uma classificação. Foram no entanto estas experiências que nos deram o contacto com as nossas raízes culturais, o património e os tão pedagógicos relatos de populações que constituem hoje em dia um valioso testemunho vivo de todo um passado.
As frequentes histórias em torno de empresas de arqueologia que muitos dos meus colegas relatavam, que não tinham verbas para pagar a tempo e horas pelo trabalho, muitas vezes duro, desempenhado; as rivalidades e a falta de ética por muita gente entitulada de arqueologo, que colocam interesses financeiros em primeiro plano, não dando o devido tratamento e respeito ao património, fazem qualquer um meditar sobre
se este era o futuro pelo qual lutaram. Em termos de emprego, ou se trabalha em empresas de arqueologia por periodos que tanto vão de 1 mês a 1 ano, tendo para isso que ter a disponibilidade de andar de terra em terra, em condições salariais e
de trabalho muitas vezes precárias ( chegando-se ao cúmulo de colocar trabalhadores sem formação e habilitações a orientar escavações havendo arqueólogos no local para o efeito) ou então tem que se ter uma cunha e tenta entrar numa câmara municipal. De facto os concursos públicos de admissão de arqueologos para autarquias até têm sido
frequentes, no entanto as pessoas que são admitidas já estão previamente escolhidas. Já tive a oportunidade de concorrer a uma série de concursos e chega a ser patético e irónico o que sucede. A decisão é feita numa entrevista, é aqui que se pode manobrar um concurso, e acontecerem coisas como: entre 4 candidatos em que 2
possuem mestrado e experiência relevante na área, um outro tem cerca de 5 anos de experiência na área de arqueologia em autarquias e outra tanta em trabalhos diversos, e um cadidato que só possui cerca de 2 meses de experiência e uma licenciatura, quem é o escolhido? O que tem cunha, e que por acaso até era o que menos habilitações e experiência tinha! Para quê dispender tempo e dinheiro em formação para depois vermos coisas destas acontecerem?
Além disso as pessoas que colocam no júri das entrevistas têm-se revelado tudo menos profissionais, senão vejam: como é possível que alguém responsável pelo património de uma Câmara Municipal, que por acaso até fica muito próximo de Foz Côa pode numa entrevista profissional alegar que as gravuras do Côa deveriam ter sido "retiradas" e colocadas num Museu e assim ter sido construida a barragem? Eu ao ouvir isto quase caí da cadeira, mas depois até achei piada imaginar o cenário de arqueologos e trabalhadores a "recortar" as gravuras e a colocá-las numa linda vitrine de museu! Será que estes senhores sabem o que é património? Já ouviram falar de musealização de
paisagens?
A continuar assim, as entidades autárquicas não contratam pessoas para preservar o património mas para o destruir. Num país tão pequeno acontecem grandes barbaridades em torno da arqueologia, agora até escolas equestres são mais importantes que o
pouco que já resta do IPA. Onde é que isto vai parar............

Artigo de Rebeca Sousa no Archport, dia 15 Fevereiro 2005

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

A (des)evolução do Estado Português...

"O impensável aconteceu hoje mesmo.
Com pompa, circunstância e nutrida comitiva, S. Exª o Sr. Primeiro-Ministro
de Portugal, assinou hoje o protocolo de cedência das instalações da Av. da
India à escola portuguesa de arte equestre. Ironicamente, o protocolo foi
assinado na futura(?) sala de leitura da nova biblioteca do IPA, em fase de
acabamentos.
Pergunta-se: para onde vai o IPA?... Será que continuará a existir enquanto
Instituto Público Autónomo?... Para onde vai o CIPA e o CNANS?... Será que
continuarão a existir como entidades?... Para onde vai a biblioteca do IPA
que, como é sabido, nasceu de uma cedência protocolada do Estado Alemão ao
Estado Português, na sequência do encerramento da delegação de Lisboa do
Instituto Arqueológico Alemão, e será que continuará a existir?...
Claro que, numa postura cínica, poderíamos pensar ou dizer que nada disto é
sério e se trata de mais uma das erráticas iniciativas do Sr.
Primeiro-Ministro e que nada disto fará sentido no dia 21 de Fevereiro. Mas,
parece-me, a situação é suficientemente grave para merecer uma atitude da
comunidade arqueológica. Só o simples facto de tal ceriomónia se ter
realizado sublinha bem a enorme fragilidade de tudo aquilo que nós,
arqueólogos, tomamos como institucionalmente adquirido. E, já agora, como
estamos em tempo de eleições, seria bom perguntar às diversas forças
políticas o que pensam fazer relativamente às estruturas que superintendem à
investigação e salvaguarda do património arqueológico nacional."

Texto de Carlos Fabião (arqueólogo e docente do ensino superior da área da
arqueologia), retirado de Archport, de 11 fevereiro 2005